As Areias de Petra
Se existe um país que nos remete à história de Aladins, princesas e tapetes voadores, este país é a Jordânia. Localizada na margem leste do Rio Jordão, guarda um dos mais fantásticos Patrimônios da Humanidade: as Ruínas de Petra. Outrora conhecida por ser um importante entreposto comercial, hoje guarda a história não contada de uma civilização. Mas o fascínio que este país causa em seus visitantes começa muito além das paredes de seus templos. Ali, silenciosa, uma história natural geológica está descrita justamente nos canyons e desfiladeiros que escondem estes templos.
O arenito, rocha predominante na região, surgiu a partir da deposição de sedimentos oriundos dos chamados mares internos, há milhões de anos. A variação das cores encontradas atualmente, à medida que mudamos de altitude, é resultado da sedimentação da rocha, criando tons de cinza claro nas encostas mais altas das montanhas (fotos 1 e 2) a tons vermelho-sangue nos estreitos desfiladeiros e vales (fotos 3 e 4).

Foto 1

Foto 2

Foto 3

Foto 4
As diferentes tonalidades de vermelho são causadas por águas termais, que são originadas nas profundezas do planeta, e se infiltram vagarosamente em fraturas na crosta terrestre, podem ascender e surgir na superfície. Estas águas são ricas em óxidos de ferro e manganês. E a porosidade do arenito permite que estes óxidos infiltrem na estrutura da rocha, dando-lhe os tons avermelhados encontrados nas grutas e paredes dos templos (foto 5).

Foto 5
Aliás, foi a maciez da rocha um dos fatores que permitiu aos antigos habitantes, os Nabateus, a permanecerem nesta área e esculpirem seus palácios. No entanto, os mesmo fatores naturais que contribuíram para a formação dos canyons e vales de Petra, também colaboram para a degradação desses palácios: a erosão pela água e pelo vento. E atualmente as mudanças climáticas globais tem sido ameaças aos sagrados templos construídos nas escarpas das montanhas.
Enquanto o movimento turístico na região de Petra demonstra o fascínio dos modernos viajantes ao passado misterioso da região, um outro lugar parece ter parado no tempo. A poucas dezenas de quilômetros dali, no deserto de Wadi Rum, grupos de beduínos pastoreiam suas ovelhas, vivendo nômades como seus antepassados.

Foto 6 – Beduínos pastoreando no Deserto de Wadi Rum
Camelos semisselvagens cuidam de seus filhotes nas planícies desérticas (foto 7), onde gramíneas e pequenas flores (foto 8) milagrosamente sobrevivem graças ao frio úmido da noite. Enquanto isto, silenciosos desenhos e inscrições enigmáticas (foto 9) parecem dançar nas encostas de pedra, embalados por sons e sussurros dos povos que outrora moraram ali, sob o enorme e estrelado tapete escuro de uma noite em fantasia.

Foto 7

Foto 8

Foto 9
5 Comentários em “As Areias de Petra”
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Precisaria da previsão de data
As ovelhas negras eram as mais valorizadas para casacos na época de Paulo de Tarso. Fugindo dos episódios de Damasco ali passou 3 anos como tecelão. Do livro “O Incansável Paulo de Tarso” – Editora Loyola – Betho Ieesus
Textos tao bons: precisariam ser continuados !
Teremos novos posts em breve. Obrigado pela resposta.
https://authorfreely.com/book/as-areias-de-petra , também eu viajei pelas areias de Petra, então resolvi escrever um livro, em português, julgo ter colocado uma pitada pessoal e ter dado asas à minha imaginação, gostaria de obter a vossa opinião.