Ásia Central As diversas facetas de uma região ainda pouco conhecida
A Ásia, maior continente e lar de quase 60% da população mundial, sempre despertou em nós, ocidentais, grande curiosidade e fascínio, desde os tempos mais longínquos, como quando a Rota da Seda conectou o Império Romano à China, há mais de 2.000 anos. Essa fascinação se estende aos relatos das conquistas de Alexandre, o Grande, à pluralidade cultural e às crenças e religiões, às aventuras de Marco Polo e até mesmo às Grandes Navegações, que conectaram a península Ibérica à Índia e ao Japão.
De todo este vasto território, há uma área ainda pouco conhecida, com cerca de 4 milhões de km2 (quase a metade do Brasil), que aguarda para ser descoberta: a Ásia Central, mencionada como uma região “distinta do mundo” pelo geógrafo alemão Alexander von Humboldt.
Abrangendo 5 países (essa definição pode variar), é popularmente conhecida como os “istões”: Cazaquistão, Tajiquistão, Quirguistão, Uzbequistão e Turcomenistão. Aliás, este sufixo vem do persa antigo e significa “lugar de” (daí também a origem de stare no latim, estar em português e stand em inglês).
<mapa Ásia Central>
Viajar por esses países é uma forma incrível de conhecer uma parte do continente ainda não tão desbravada, em suas mais diversas facetas:
Rota da Seda
Otávio Luiz Pinto, autor do livro que leva o mesmo nome, diz que a rota, muito mais do que caminhos e estradas, “também foi um processo de aproximação cultural entre diferentes sociedades asiáticas, africanas e europeias: as caravanas que a cruzavam não carregavam apenas objetos, mas também idiomas, escritas, textos, religiões, tecnologias, práticas políticas e ideologias que se disseminaram e ajudaram a criar (…) um mundo mais cosmopolita”. Foi nesta região que ocorriam todas essas trocas, passagem dos comerciantes que deixaram muitas marcas, ainda presentes em seus mercados, caravançarais e fortalezas.
Legenda: Bazares e cidadela Ark, em Bukhara, no Uzbequistão
Influência islâmica e persa na arquitetura
A Rota da Seda sem dúvida foi a grande impulsionadora da expansão do islamismo na Ásia Central, a partir do início do século 8. A fusão da nova fé com as tradições persas e turcas deu origem a um polo vibrante de ciência, filosofia e arquitetura islâmica em cidades históricas como Samarkand e Bukhara. Visitar os mausoléus, mesquitas e madraças com suas cúpulas coloridas com detalhes geométricos, seus portais em forma de arco e padrões caligráficos e florais é um atrativo à parte.
Legenda: A Praça Registan, na cidade de Samarkand, e a uma das mesquitas na cidade de Bukhara.
Herança Soviética.
A partir de 1985, durante o governo de Mikhail Gorbachev, ocorreram duas reformas na União Soviética: a Perestroika (reestruturação econômica) e a Glasnost (transparência política), que impactaram profundamente o regime e culminaram no seu fim. As sete décadas de integração à URSS deixaram marcas profundas nas antigas Repúblicas Socialistas da Ásia Central, que concluíram o processo de independência somente em 1991.
Percorrer cidades como Almaty, Duchambe, Tashkent e Bishkek é presenciar o legado traduzido não apenas nos imponentes edifícios governamentais e na vasta rede ferroviária que outrora conectava essas repúblicas a Moscou, mas também em outros aspectos bastante presentes, como o idioma russo ainda ouvido nas ruas, a utilização do alfabeto cirílico, a arquitetura dos metrôs subterrâneos, seu traçado urbanístico e os monumentos preservados do período. Todos estes elementos revelam uma fascinante sobreposição temporal na qual o passado soviético ainda pulsa na identidade urbana e cultural da região.

Legenda: Algumas áreas urbanas do Uzbequistão ainda remetam à época em que o país integrou a URSS União Soviética, período em que o país integrou a URSS.
Cruzamento histórico de povos e civilizações, a Ásia Central carrega em seu solo os rastros de todos aqueles que passaram por suas rotas, levando e deixando influências em um processo irreversível de trocas que transformaram o mundo. E, após décadas de isolamento no bloco socialista, as nações da região vêm, desde a conquista de suas independências, caminhando de olhos postos no futuro. Hoje, buscam afirmar uma nova e autêntica identidade no dinâmico cenário geopolítico global, equilibrando seu passado monumental com as ambições de inovação, desenvolvimento e cooperação internacional.
Dentro dessa linha de abertura para a economia mundial, como por alguns chamada de “a nova rota da seda”, alguns países vêm investindo fortemente no turismo e a Ásia Central começa a despontar como um promissor destino, ainda que consideradas as suas dificuldades atuais de logística e infraestrutura.
Dos 5 países que formam o bloco, o Turcomenistão é o único que ainda permanece bastante isolado (considerado um dos países mais fechados do mundo!) e entrar em seu território como turista é extremamente difícil, devido ao seu forte isolamento político e processos burocráticos para a obtenção do visto que podem levar meses. Nos demais, embora a entrada seja facilitada (não há necessidade de visto para brasileiros em viagens de curta duração), temos que considerar as questões geográficas, que dificultam o deslocamento entre esses países e ainda sua infraestrutura viária. Viajar por esses países exige um cuidadoso planejamento logístico, que muitas vezes envolve a utilização de transporte aéreo, terrestre e ferroviário.
Pensando nesses desafios, a Latitudes Viagens de Conhecimento desenvolveu uma viagem única, utilizando um trem privativo, o Golden Eagle Express, para explorar esses 4 países, eliminando justamente as dificuldades logísticas e de limitação de hospedagem. Esta é a maneira mais confortável de viajar pela Ásia Central e vivenciar todas essas e muitas outras experiências incríveis. Pelos seus trilhos, seguirá não apenas um caminho comercial, mas o fio dourado que tecia culturas, conectando o Oriente e o Ocidente em um diálogo que atravessou milênios.
<mapa Latitudes viagem Rota da Seda>
Vem fotos do trem
Um roteiro autoral e bastante completo, que passará por Almaty (capital do Cazaquistão de 1929 a 1997), cercada por montanhas nevadas, onde arranha-céus espelhados refletem a ousadia do futuro, enquanto mercados vibrantes, mesquitas imponentes e tradições nômades ainda pulsam na hospitalidade de um povo que preserva paisagens intocadas.

Os caminhos continuam pelo Quirguistão, onde visitaremos Bishkek, famosa por sua herança arquitetônica soviética e pela proximidade com imponentes montanhas e o Lago Issyk-Kul, onde a vida segue o compasso das tradições nômades e o passado resiste no cotidiano. É um território onde hospitalidade e natureza selvagem se encontram, convidando o viajante a vivenciar uma autenticidade rara no mundo de hoje.
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No Tajiquistão, conheceremos seus vales profundos, rios cristalinos e as imponentes Cordilheiras do Pamir, com paisagens de tirar o fôlego, e a capital Dushambe, que exibe largas avenidas, traços da arquitetura monumental soviética combinados com amplas alamedas arborizadas e parques públicos bem cuidados.


Para finalizar nossa expedição, Uzbequistão, o coração da Rota da Seda, que nos convida a percorrer séculos de arte, ciência e cultura. Entre mosaicos delicados, minaretes revestidos de azulejos, madraças imponentes e bazares cheios de aromas, o país revela a atmosfera das antigas caravanas. Em Samarkand e Bukhara, as cúpulas azul-turquesa erguem-se como guardiãs de um legado que atravessa o tempo.

Para os que têm curiosidade em saber um pouco mais sobre os países a serem visitados, segue um quadro comparativo com algumas informações básicas da atualidade:
E, como parte fundamental das viagens de conhecimento promovidas pela Latitudes, o grupo será acompanhado por dois especialistas: Marcelo Backes, professor, escritor e crítico literário, e Daniel Sousa, economista e analista de política internacional, que ministrarão aulas e enriquecerão ainda mais o roteiro. Uma oportunidade única de conhecer, nas palavras de Humboldt, essa “região distinta do mundo”, com toda a comodidade que somente uma expedição em trem privativo pode oferecer.
Sonha em conhecer a Ásia Central e todos os seus encantos? Este é o momento e esta é a melhor forma!
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